Bem Vindos...

Bem Vindos...
As pesquisas agregadas nessa Linha têm em comum o debate historiográfico do campo conhecido como “História Cultural”, mas vão além, elaboram assertivas acerca da rica e controversa noção de “Cultura” e a utilização da Literatura como fonte histórica, tendo como base os debates da Teoria da História e as pesquisas contemporâneas consagradas na historiografia da História. Essa linha é parte do Grupo de Pesquisa "Literatura e História: Memória e Representação", que congrega cursos e áreas diferentes, com problemáticas próprias, tendo como líder a profª. Dra. Luciana Brito, do curso de Letras da mesma instituição.

Quem Somos...

Quem Somos...

Eis o grupo de pesquisadores:

Fábio Silva, Bruna Camargo, Walter Claro, prof. Marcio Carreri, Michele Conte, Diogo Almeida, Rafaela Goulart, Vanessa Moreira, Alvaro Dolens, Vanilde Ferraz e Anderson Martins.

O que pesquisamos...

O que pesquisamos...

As nossas pesquisas estão ligadas na linha de História e Cultura e são bem diversificadas. Sendo as orientações feitas pelo prof. Me. Marcio Luiz Carreri.

  • Anderson Montagner Martins: graduando do 2º ano de História e está definindo sua pesquisa.
  • Fábio Leite da Silva: graduando do 3º ano de História e sua pesquisa será voltada para música.
  • Isabelle da Silva de Souza: está cursando o 4º ano de História. Pesquisa sobre a submissão do corpo a partir do livro "O Processo" de Franz Kafka.
  • Rafaela Sales Goulart: graduanda no 4º ano de História e pesquisa as relações entre o intelectual Oswald de Andrade e o PCB.
  • Vanessa Aparecida Moreira: está graduada em História. Pesquisou sobre Representação do saber/poder: disciplina e controle em "O Ateneu". Também está no 1º ano de Filosofia.
  • Vanilde do Carmo Souza Barboza Ferraz: é graduanda do 3º ano de História. Sua pesquisa será relacionada com a História Cultural e Carlo Ginzburg.
  • Walter Claro da Silva Junior: está graduando o 4º ano de História e sua pesquisa esta relacionada a religiões, expecificamente com a igreja Assembléia de Deus.

22 de fevereiro de 2011

A Revolução da Era do "Facebook"

Durante os tempos da Revolução Francesa, certamente apenas o fato de haver fome conduziu aqueles milhares de homens, mulheres, crianças, todos enfurecidos com a condição que lhes estavam sendo imposta, mesmo que ainda que não tivessem a dimensão que as proporções iriam tomar, pelo menos, já tinham alguma expectativa de um levante popular contra sua nobreza pelo fato de os 13 Estados da Nova Inglaterra (Estados Unidos da América) já terem conquistado em 1776 sua libertação do domínio britânico. Espanta muito sabermos que a notícia da tomada do poder em Versalhes durou meses para chegar do outro lado da França, o mesmo país.
Mil setecentos e oitenta e nove parecia tempo o suficiente para uma notícia se espalhar, e algum desejo no Imaginário nascer no coração das pessoas. O historiador José Murilo de Carvalho, pautado no filósofo Bronislaw Bazcko – que relata estudos e conceitos sobre o Imaginário, vai contar como esse efeito se deu, partindo de Mirabeau e sua percepção do que o simbólico vai conseguir realizar ao imbuir as pessoas de espírito revolucionário, com novas palavras, nova ordem de signos e rituais, para novos tempos. O historiador norte-americano Robert Darnton também destaca isso como sendo possível apenas por conta de outra máquina poderosa: a Imprensa. Esta foi fonte indispensável para que se popularizassem as novas idéias, bem como se podia ter nela uma forma de controle ideológico social.
Na última sexta-feira, dia 18 de fevereiro de 2011, uma semana após a tomada das ruas do Cairo, e a subseqüente queda do ditador Hosni Mubarak, após 25 anos no poder daquele país – o que desestabilizou completamente o mundo árabe, com seus intrépidos ditadores, uma informação curiosa chamou atenção na edição daquela noite do Jornal Nacional: o Exército do Egito está se modernizando para acompanhar os anseios dos estudantes revolucionários, pois, também criou uma conta no site de relacionamentos ‘Facebook’ para ficarem mais próximos das opiniões daqueles que promoveram a ‘revolução’ no Egito, que usaram do mesmo instrumento virtual para marcarem os encontros que levariam milhares de pessoas para as ruas da cidade do Cairo. Seu poder de mobilização é indiscutível. Antes estava sendo utilizado para qualquer encontro em alguma praça pública para algum fim supérfluo, agora promove incisivas mudanças sociais!
Uma semana após todo o processo de destituição do cargo daquele presidente, obviamente, não pode ser considerado tempo suficiente para dizer que tudo estaria sob controle. Mesmo depois de firmada a Revolução na França, ainda assim, Luís XVI, com seu grupo de apoio da nobreza e os líderes de todos os países de relação amistosa com a França – sob os auspícios dos Habsburgo da Áustria e da Igreja Católica, tentou retomar o poder dos jacobinos, o que foi intensivamente reprimido por Robespierre no ‘Regime do Terror’. Não custou muito para que Luís XVI perdesse sua cabeça numa guilhotina.
Eric Hobsbawm comenta em seu livro Sobre História o fato de se ver a História pelo lado de baixo para cima, ou seja, das massas para o topo, como se desse voz àqueles que costuma-se desconsiderar: o povo. Em certa passagem, intriga uma constatação, na qual o autor fala sobre algumas tomadas de terras por camponeses desabrigados, quando não se tem mais como evitar o processo revolucionário, ainda que não saibam que fazem parte daquela ‘cena’ sócio-histórica, vão em grupos, geralmente invadem as terras à noite e, curiosamente, existem relatos de situações semelhantes em várias partes do mundo, porém, sem nenhuma inter-relação entre as partes. Ora, o autor conta que seriam punidos, obviamente, e por isso encaram a situação em grupo, de forma ordenada, ritualizada em sua própria gênese e esperam a punição, a qual apenas não ocorrerá se algo de muito revolucionário acontecer, de forma que nenhuma autoridade tenha coragem de castigá-los. Fica claro que há, portanto, algum amparo oficial nesses atos comunitários e coletivos, “porque naturalmente precisam viver com os camponeses [que se prestaram a invadir as terras improdutivas] tal como os camponeses precisam viver com elas” (2005, p. 226-7), entenda-se, as autoridades. Vale lembrar que foram os camponeses a maioria revolucionária da Rússia, em 1917, junto a Lênin. Não seria inoportunamente absurdo dizer, portanto, que o Exército Egípcio faria aquilo mesmo, ou seria muito relembrar que tinham o apoio do Ocidente antes da queda de Mubarak, e ainda o teriam, pois, os Estados Unidos da América, são os maiores financiadores de revoluções democráticas – eles que foram os primeiros a reconhecer a Revolução Francesa (que derrubou aquele que emprestara soldados para combater seus arqui-rivais britânicos). E isso não significa nenhum mérito, visto que essa democracia neo-liberal não é nada brilhante e especial, dicotomicamente do que os EUA ilustram como sendo o melhor dos mundos.
Conclui-se, enfim, que os tempos mudaram para as formas de se fazer revolução, inclusive. Antigamente, para que se visse uma revolução de proporções grandiosas como aquilo que o mundo assistiu acontecendo no Egito era necessária apenas boa dose de organização clandestina, com grandes chances de falhar, e ainda podiam ser presos, torturados e mortos. Basta lembrar-nos da tentativa (delatada) de Revolução Socialista no Rio de Janeiro, promovida por Luis Carlos Prestes, ou os movimentos contra a Ditadura Militar na década de 1970, cuja presidente Dilma Roussef, inclusive, participara e foi duramente punida. Diante dos olhos do mundo, agora, entretanto, pouca coisa as autoridades têm coragem de fazer. A massa, cujos participantes são estudantes, que provaram mais uma vez sua força de atitude – inclusive na Itália e na Inglaterra (também com o uso do Facebook) em 2010, por mudança no sistema estudantil, e as mulheres – Berlusconi, (quanto aos escândalos sexuais que é acusado) não escapará do poder dessas certamente, provaram todos que são parte de uma vontade mútua que vêm de dentro de si e do sistema, e, enfrentando exércitos e governos, provavelmente, nada os impedirá. “O fato de que uma parte comanda e a outra é subalterna não significa que os governantes não precisam levar em conta os governados” (Idem, p. 227).

Bibliografia consultada

Baczko, Bronislaw. A Imaginação Social. In: LEACH, Edmundo et Alii. Anthropos Homem. Lisboa: Imprensa Nacional/Casa da Moeda, 1985.
CARVALHO, José Murilo de. A Formação das Almas: O Imaginário da República no Brasil. 3ª reimpressão. São Paulo: Companhia das Letras, 1997.
DARNTON, Robert. O Beijo de Lamourette: Mídia, Cultura e Revolução. Tradução Denise Bottmann. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.
HOBSBAWM, Eric. Sobre História. Tradução Cid Knipel Moreira. São Paulo: Companhia das Letras, 2005.

Diogo Almeida – Acadêmico de Filosofia-UENP/Representante Discente da Pós-Graduação do CCHE/UENP/CJ.

1 de dezembro de 2010

Para Um Entendimento sobre Fenomenologia


          Se na Nova História Cultural muito se discute sobre Fenomenologia, como processo de investigação sobre a natureza das coisas, sua dissecação hermenêutica, e sua semiologia, obviamente, que se faz necessário buscar elementos na Filosofia que expliquem um pouco desse processo epistemológico.
David Hume desenvolveu suas teorias após as leituras de John Locke e Berkeley. O primeiro era quase totalmente contrário ao ‘racionalismo’ cartesiano, cujo princípio se estabelecia na responsabilidade total de nossos pensamentos na ‘Razão’ pura, e o grande formulador de nossas idéias seria Deus, quando o agente não fosse um gênio maligno.
            Em Locke, as coisas se dariam na mente humana não de um saber inato como Descartes, pois sim, pela experiência, pelo processo empírico no contato do indivíduo com as coisas que o rodeiam, bem como as percepções internas dos seres (não apenas as externas). Para Locke a mente das pessoas seria um papel em branco.
            Com Berckekey, Hume percebeu que além de as coisas se darem pela experiência como em Locke, alguns conceitos foram adicionados. Locke dizia que todas as coisas tinham formas e tamanho, em primeiro lugar, e cores e sabores, em segundo lugar, o que para Berckeley era impossível de se ter alguma dissociação. Berckeley é o precursor do fenomenalismo, percebendo nas coisas uma distinção do que de fato pode ser real ou fictício, visto que, para ele, nossas percepções sobre as coisas partiam de nossa subjetividade, e cada coisa só poderia ser real enquanto sentida, vista, ouvida, cheirada; caso contrário, seria irreal, pois, não estaria sendo pensada. Suas percepções sobre a mente humana se assemelha à Descartes quando coloca em Deus a responsabilidade de administrar as coisas do universo, ficando meio distante de Locke.
            Hume, por sua vez, reaproveita a fenomenologia de Berckeley e o valor nas experiências físicas, não metafísicas, de Locke, para formular suas concepções sobre o Entendimento Humano.
            Quanto às impressões, às idéias, às representações, lembranças do passado e imaginações para o futuro, fazem com que tudo em processo epistemológico fosse dedicado ao empirismo de Hume. Hume se diz um cético mitigador, tão profundo que até mesmo quem o lê desconfia se é verdade o que ele escreve. Poderia estar sendo também um ilusionista.
Quanto a esta questão e outras de ordem metodológicas, que depois os utilizará para uma análise e síntese de todas as concepções vistas até então será Immanuel Kant, com seu criticismo, adotando até um caráter mais metafísico nas coisas do mundo, transcendental.



DIOGO H. A. DE ALMEIDA, Pós-Graduando em História: Cultura e Sociedade. na UENP Integrante do Grupo de Pesquisa em História e Literatura da UENP. Graduando em Filosofia da UENP. Representante do Corpo Discente de Pós-Graduação do Centro de Ciências Humanas e da Educação (CCHE/UENP).

16 de novembro de 2010

Campus e Habitus entre outros...

Campus:
(...) espaços estruturados de posições (ou de postos) cujas propriedades dependem das posições nestes espaços, podendo ser analisadas independentemente das características de seus ocupantes (em parte determinadas por elas)"[1].
Campus são lócus (físicos ou não) que possuem plausibilidade própria. São os locais onde se manifesta a violência simbólica em prol de um capital.
Bourdieu geralmente compara o campus a um jogo, pois em ambos necessitam de: objetos a serem disputados (capital), jogadores (agentes sociais) que necessariamente conheçam as regras do jogo (habitus).
Mesmo que físico, um campus dentro da sociologia estruturante de Bourdieu, sempre estará em movimento (retomando a filosofia mobilista de Heráclito), pois refutando a ideia marxista de passividade do sujeito nas ações sociais, Bourdieu procura conceber um sujeito social que construa e derribe, aja e dissimule, exerça ou omita o seu poder, dentro de uma sociedade totalmente ativa.
Em síntese: Campus é o lugar onde são travadas as lutas ideológicas em função de um prêmio (capital).

Habitus:
“Sistemas de disposições duráveis, estruturas estruturadas predispostas a funcionar como estruturas estruturantes, quer dizer, enquanto principio de geração e de estruturação de práticas e de representações que pode ser objetivamente “reguladas” e “regulares” sem que, por isso, sejam o prodo da obediência a regras, objetivamente adaptadas a seu objetivo sem supor a visada consciente dos fins e o domínio expresso das operações necessárias para atingi-las, e por ser tudo isso, coletivamente orquestradas sem serem o produto da ação combinada de um maestro “[2]
“(...) um sistema de disposições duráveis e transferíveis que, integrando todas as experiências passadas, funciona a cada momento como uma matriz de percepções, apreciações, e ações, e torna possível a realização de tarefas infinitamente, diferencias, graças às transferências analógicas de esquemas que permitem resolver os problemas da mesma forma e graças às correções incessantes dos resultados obtidos, dialeticamente produzidas por estes resultados"[3]
O termo habitus é um dos conceitos mais populares e conhecidos dentro da sociologia de Pierre Bourdieu.
Segundo Maria Setton[4], Bourdieu resgatou este termo da filosofia grega, sendo o termo “original” hexis, que foi utilizado por Aristóteles, que usava este termo para “designar então características do corpo e da alma adquiridas em um processo de aprendizagem”. O termo também foi utilizado por Émile Durkheim como um conceito que contextualiza a ação do individuo em um meio social.
Não querendo tornar recorrente, mas cabe ressaltar, que o termo grego hexis¸foi amplamente utilizado também por São Tomas de Aquino, na conhecida escolástica. A intenção de Bourdieu em retomar o termo, foi a tentativa de quebra da paradigmática sociologia estruturalista, que colocava o homem passivo na sociedade.
Já para Bourdieu, o habitus é uma parte de compreensão de um todo, tendo em vista que a física social de Durkheim, e posteriormente a História Tradicional, se ocupavam em muito de seu (tempo) e estudos, a uma análise comparativa da sociedade, para Bourdieu, o estudo dos habitus, seria um modo mais totalizante (não globalizante) de compreender uma ação social (campus) e suas imbricações.
Em síntese: Habitus são as práticas, ações, discursos, atos, “principio gerador” de um campus.
Capital ou bem simbólico:
Neste termo, Bourdieu deixa claro seu afastamento do marxismo ortodoxo.
Enquanto Marx e seus seguidores ortodoxos consideravam a economia como único capital válido para a sociedade, Bourdieu inclui a cultura como também uma das motivações das brigas simbólicas.
As constantes tensões e violência simbólica que o habitus de um sujeito provoca dentro de um campus são motivadas pela conquista de um bem simbólico.
Em síntese: O bem simbólico ou o capital, é o produto por qual há tensões dentro de um campo.
Poder:
Integração social:
Corpos de especialista:
Divisão do trabalho:
“(...) Sem duvida o que permeia tal concepção é a idéia de uma situação “arcaica” indiferenciada onde e quando não é possível distinguir entre o trabalho propriamente econômico e o trabalho propriamente simbólico, fato atestado pelo léxico e pelas categorias do pensamento ‘arcaico’. No curso de um processo completo de divisão do trabalho, chega-se à separação final entre mercado material e mercado simbólico, entre trabalho material e trabalho simbólico, entre empresa de bens econômicos e empresa de bens simbólicos, entre lucro econômico e lucro simbólico, entre empresário econômico e empresário de bens de salvação, entre capital econômico e capital simbólico, e assim por diante, fazendo-se presente em todo o aparato conceitual que dá conta da organização interna do campo simbólico”[5].
Embora o paragrafo supracitado esteja tratando acerca da economia, podemos compreender a natureza da divisão do trabalho para Bourdieu.
“O trabalho teórico não é outra coisa senão ‘a experiência de um mundo social sobre o qual pode-se agir, de maneira quase mágica, por signos – palavras ou dinheiro – quer dizer, pela mediação do trabalho de outro (...)”.
Ensinar, carpir, construir, dirigir, ou postular, pensar, teorizar, tudo é um trabalho.
Porém a divisão fica clara na construção da hierarquização da sociedade.
Enquanto o engenheiro postula uma construção, o pedreiro a efetua, a indústria farmacêutica postula um novo medicamento, o “peão” se embrenha na mata para conseguir a matéria prima.
Poderíamos citar outros exemplos que culminariam neste fato:
Em síntese: A hierarquização da sociedade, também divide o trabalho para produzir os diferentes bens simbólicos.
Este reducionismo teórico acerca de Pierre Bourdieu serve nada mais nada menos do que para que iniciantes da leitura de Bourdieu (assim como eu) possam ter nada mais do que a vontade de dar o primeiro passo a colocar os óculos para ver o mundo com as lentes de Pierre Bourdieu, e assim possa ver um mundo, denso e complexo.

A minha pesquisa

Neste momento, pesquiso junto a este grupo de pesquisa, se da na relação história e religião, sobretudo, pentecostalismo.
Tento estabelecer concepções acerca da identidade social do grupo pentecostal, Assembléia de Deus, e suas imbricações com a sociedade atual.
Partindo de algumas premissas, tais como, a desfragmentação do sujeito e a descentralização do poder de Foucault, as identidades flutuantes na pós-modernidade de Stuart Hall, e entendo a religião na perspectiva de Durkheim, que a mesma é uma produção da sociedade, uso Bourdieu como ferramenta metodológica para esta discussão.
Sendo a igreja meu lócus de estudo, procuro identificar as práticas sociais através de ritos, doutrinação, costumes – como diria Antonio Gouvea Mendonça – os elementos internos, através destes que compreendo as relações de poder que resultam na criação (ou não) de uma identidade social religiosa.
A minha pesquisa se dá a partir de entrevistas, coleta de dados através de questionários, e sobretudo, analise de discurso, tanto dos dados coletados, quanto dos próprios elementos internos.


[1] BOURDIEU, Pierre Questões de Sociologia. Rio de Janeiro: Marco Zero, 1983.
[2] BORDIEU, Pierre, Economia das Trocas Simbólicas, p. 175, São Paulo, Perspectiva, 1992
[3] BORDIEU, Pierre, Economia das Trocas Simbólicas, p. 178-179, São Paulo, Perspectiva, 1992
[4] SETTON, Maria da Graça Jacintho, A teoria do habitus em Pierre Bordieu: uma leitura contemporânea, disponível em: http://www.anped.org.br/rbe/rbedigital/RBDE20/RBDE20_06_MARIA_DA_GRACA_JACINTHO_SETTON.pdf, acessado dia: 18/09/2010 às 12:46.
[5] BORDIEU, Pierre, Economia das Trocas Simbólicas, p. XXXVIII, São Paulo, Perspectiva, 1992.

13 de novembro de 2010

Pós-modernismo? Pós-modernidade?

Atualmente vivemos em um período onde o efêmero predomina e as palavras de Marx no Manifesto comunista se enquadram perfeitamente: “Tudo que é sólido se desmancha no ar”, fazendo com que o que era verdade ontem, hoje não seja mais. Seria um período pós-moderno?
Se a modernidade até hoje encontra críticos, não tem uma data definida de quando se inicia e se realmente terminou, quem dirá os seus sucedâneos, o pós-modernismo e pós-modernidade. Ambos os termos possuem críticos ferrenhos e estão tentando ainda ser aceitos, pois muitos não acreditam que estamos em um período pós-moderno.
Vários autores abordam esses termos na busca de uma resposta. A maioria deles são críticos. Entre eles se destacam François Lyotard, Fredric Jameson, Terry Eagleton, Perry Anderson entre outros.
E a partir dessas leituras, vimos que apesar de próximos pós-modernismo e pós-modernidade não são iguais. O pós-modernismo, “a grosso modo”, é um pensamento contemporâneo que rejeita valores universais, as metanarativas, as totalidades, o progresso e celebra a heterogeneidade, o pluralismo e a descontinuidade. Enquanto a pós-modernidade se dirige ao pensamento específico que questiona a razão, identidade, emancipação universal, objetividade, sistemas únicos e a verdade.
Muitos dos que se dedicam aos estudos da contemporaneidade dizem que o filósofo Friedrich Nietzsche teve um papel fundamental e é até mesmo tido como precursor da pós-modernidade. 
Apesar de ter vivido antes desse período dito pós-moderno, as suas ideias se enquadram perfeitamente ao pensamento pós-modernista, o que ele chamava de modernidade tardia.
No sentido histórico de modernidade tardia ele questionava as ideias de causalidade e fim, de totalidade, identidade de pensamento e ser, progresso histórico, evolução, unidade e verdade. Ele alega que o sentido histórico de modernidade tardia é historicamente estranho, resultado de uma mistura cultural que se deu principalmente na Europa.
Suas ideias influenciaram também o filósofo Michel Foucault e a partir dessas desenvolveu seu método chamado genealógico. Nele, Foucault deixa de buscar as origens e as teorias totalizantes e vai se interessar pelas descontinuidades, deriva daí a ideia de que ele seria pós-moderno.
Foucault, como ele mesmo dizia, poderia ser considerado várias coisas, anarquista, niilista, antimarxistas e outras inúmeras definições, porém essas definições isoladamente nada significavam, mas o conjunto delas possui um significado na qual ele gostava.
E no conjunto de leituras, se tornou claro que neste período pós-moderno até mesmo o saber passa a ser algo vendável, ou seja, ele se torna uma mercadoria, a principal força de produção, tanto na busca quanto na transmissão desse saber. Ele está ligado no poder político e econômico. “Não se compram cientistas, técnico e aparelhos para saber a verdade, mas para aumentar o poder.” (A condição pós-moderna – François Lyotard 2009: 131).
Enfim, para os que acreditam quem estamos vivenciando um período pós-moderno, nos alegam que podemos ter uma visão clara da transição de um período para o outro da seguinte forma: Antes, na modernidade era a imagem de máquinas que reinava, agora no pós-modernismo são as máquinas de imagens, pois elas deixam de serem máquinas de produção como anteriormente e se tornam fontes de reprodução, um exemplo disso, é o que temos depois dos anos 70 com a chegada da TV em cores e computadores.


Michele Vieira Conte

6 de novembro de 2010

Escola, uma instituição de poder

O presente texto faz parte da reflexão desenvolvida no Grupo de Pesquisa - História e Cultura - da UENP, acerca do texto de Pierre Bourdieu, O Poder Simbólico, buscando estabelecer uma relação com uma das pesquisas desenvolvidas no interior do grupo, a qual se utiliza dos conceitos foucaultianos de poder-saber, para estabelecer uma reflexão acerca da educação bem como de suas práticas disciplinares e suas formas de controle.
Bourdieu aponta para o fato de que o poder está em toda parte, seja no Estado, nas indústrias, nas escolas, nos hospitais, ou em uma escala menor, nas famílias. Todos estão envolvidos nas relações de poder, porém, como aponta Bourdieu, nem sempre se dão conta disso. Segundo ele, esse poder é um poder simbólico e invisível, o qual conta com a cumplicidade de todos. As relações dos diversos grupos da sociedade estão impregnadas desse poder, que atua de modo a construir uma realidade que o legitime e o fortifique, dando sentido ao grupo a qual pertence e à sociedade da qual faz parte.
Tem-se nas escolas esse poder que se exerce através do discurso, seja ele do professor ou da equipe pedagógica, onde será imposto ao aluno os conteúdos que deve aprender, a forma como deve se comportar na sala de aula, na escola e diante da sociedade. Esse poder vai atuar de forma a regular o comportamento do indivíduo a fim de que se torne dócil e útil à sociedade, de maneira que se possa obter do individuo um maior aproveitamento e rendimento de suas capacidades para a construção e o crescimento da sociedade, visando por outro lado, o controle desses indivíduos diminuindo ao máximo, o número de revoltas e de transgressão das regras.
Desse modo, como aponta Foucault, o individuo é um produto dos saberes, ou seja, são os saberes das diversas áreas do conhecimento que vão indicar como o individuo deve se portar, o que pode dizer ou não e o momento certo para fazê-lo. Trata-se de educar o individuo para a vida em comunidade e, para tanto, o aluno precisa então passar pela vida escolar para ser “normalizado” para que somente depois de aprender a como se “comportar” diante e na sociedade, esteja livre para exercer seu papel de cidadão em meio à sociedade. Assim, de acordo com Bourdieu, o discurso dominante visa impor a ordem estabelecida de maneira a que os indivíduos não a percebem enquanto uma imposição, a qual aparece enquanto algo natural.
Dessa forma, os indivíduos estão expostos aos efeitos do poder, sem que o saibam estar. E tem suas vidas e visão de mundo formadas e transformadas de forma silenciosa, por um poder que se lhes impõe pela força, mas não pela força física, e sim de uma forma mascarada, como algo que lhes parece natural à sua vida.

Vanessa Aparecida Moreira