O presente texto faz parte da reflexão desenvolvida no Grupo de Pesquisa - História e Cultura - da UENP, acerca do texto de Pierre Bourdieu, O Poder Simbólico, buscando estabelecer uma relação com uma das pesquisas desenvolvidas no interior do grupo, a qual se utiliza dos conceitos foucaultianos de poder-saber, para estabelecer uma reflexão acerca da educação bem como de suas práticas disciplinares e suas formas de controle.
Bourdieu aponta para o fato de que o poder está em toda parte, seja no Estado, nas indústrias, nas escolas, nos hospitais, ou em uma escala menor, nas famílias. Todos estão envolvidos nas relações de poder, porém, como aponta Bourdieu, nem sempre se dão conta disso. Segundo ele, esse poder é um poder simbólico e invisível, o qual conta com a cumplicidade de todos. As relações dos diversos grupos da sociedade estão impregnadas desse poder, que atua de modo a construir uma realidade que o legitime e o fortifique, dando sentido ao grupo a qual pertence e à sociedade da qual faz parte.
Tem-se nas escolas esse poder que se exerce através do discurso, seja ele do professor ou da equipe pedagógica, onde será imposto ao aluno os conteúdos que deve aprender, a forma como deve se comportar na sala de aula, na escola e diante da sociedade. Esse poder vai atuar de forma a regular o comportamento do indivíduo a fim de que se torne dócil e útil à sociedade, de maneira que se possa obter do individuo um maior aproveitamento e rendimento de suas capacidades para a construção e o crescimento da sociedade, visando por outro lado, o controle desses indivíduos diminuindo ao máximo, o número de revoltas e de transgressão das regras.
Desse modo, como aponta Foucault, o individuo é um produto dos saberes, ou seja, são os saberes das diversas áreas do conhecimento que vão indicar como o individuo deve se portar, o que pode dizer ou não e o momento certo para fazê-lo. Trata-se de educar o individuo para a vida em comunidade e, para tanto, o aluno precisa então passar pela vida escolar para ser “normalizado” para que somente depois de aprender a como se “comportar” diante e na sociedade, esteja livre para exercer seu papel de cidadão em meio à sociedade. Assim, de acordo com Bourdieu, o discurso dominante visa impor a ordem estabelecida de maneira a que os indivíduos não a percebem enquanto uma imposição, a qual aparece enquanto algo natural.
Dessa forma, os indivíduos estão expostos aos efeitos do poder, sem que o saibam estar. E tem suas vidas e visão de mundo formadas e transformadas de forma silenciosa, por um poder que se lhes impõe pela força, mas não pela força física, e sim de uma forma mascarada, como algo que lhes parece natural à sua vida.
Vanessa Aparecida Moreira
liberdade! onde está ela?
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